quarta-feira, 17 de março de 2010

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O pobre diabo se joga rumo ao desconhecido no bairro comercial da cidade grande. Ele está prestes a ser engolido por uma criatura nova, desprovida de sentimentos ou crenças religiosas e que se arrasta pelo lixo reciclável, jogados nos fundos das grandes companhias. A escada simboliza tanto a subida ou nesse caso, a descida voluntária. O que o demônio encontrará nas entranhas daquela criatura? Só deus saberia dizer...

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Os nove arcanos

1- O homem de camisa listrada carrega por cima da cabeça um olho só, que chora 4 vezes ao ano.

2- A mulher arranca as próprias mãos para não se coçar. Os ganchos que agoram substituem os dedos servem para algo que ela não mais se recorda.
3- O careca caolho fuma um cigarro de menta. O "s" em sua testa é uma cicatriz da Décima Quinta Guerra de Bairros daquele Município.

4-
O veado com chapéu de veludo estende a mão aos transeuntes.

5-
No centro da página temos ninguém mais, ninguém menos que Belzebu que observa a todos com o olho que ainda lhe resta.

6- O corpo da mulher exala rancor. Ela bebe sozinha em companhia de ninguém.
7-
A caveira proletária. Não se sabe quem ou o que é. Isso é irrelevante.

8-
A dançarina feliz, um segundo antes de lesionar o Tendão de Aquiles num passo novo que havia sonhado na noite anterior.

9-
O pequeno ser é levado pela correnteza sem que ninguém o veja.

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A Rainha de Lá ergue os braços, em oferenda à um deus qualquer. Em suas mãos: um peixe de escamas brilhantes e um olho castanho claro, da cor da terra daquela região. Uma garrafa do melhor vinho artesanal ( comprado no comércio local ) e uma taça simbolizando o recipiente da vida.
Note que os filhos gêmeos repousam ao lado da mãe com seus tentáculos.

O cão fumante reflete sobre sua posição no triste drama da existência enquanto um olho que um dia será maior que a barriga palpita no lugar do coração ( agora, acima da coroa da Rainha ).

A carcaça de peixe no canto superior direito é apenas uma carcaça de peixe decorativa.

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O pensador, sentado em sua poltrona de mármore, discursa em praça pública para uma platéia distraída. Em suas mentes a figura de Jocasta; a cortesã européia; flutua sem roupas no limbo de suas próprias existências.

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… na qual o homem bem vestido recita versos satânicos segurando um crânio em chamas de alguém não identificado até então. Vemos ao fundo um pequeno diabo, numa velha lixeira de alumínio arrotando o almoço do dia anterior em frente à uma oficina de bicicletas.

A nota de rodapé nos alerta para o perigo que chega dos céus.

Uma tempestade está a caminho!